quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Setembro.

Pra agora e pra daqui por diante, três atividades, porque se me prometer mais não cumpro, me conheço. Andar de bicicleta, ler e regar as plantas. A vida está se movimentando em larga escala e alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho¹. Minha pretensão, no entanto, é enorme com essa meta de realizar o simples. Quero respirar em mim (que é o jeito que inventei pra falar disso), quero apagar as manchas que me borram, soprar pra longe essa névoa que me envolve enquanto os dias correm hostis, preocupados e meio embriagados. É como se eu quisesse ficar só com que é essência. É árdua a busca pelo que é delicado nessa humanidade que construiu sua história com sangue e que grita tão forte dentro de mim e da minha arrogância, ou seja, é árdua a busca pelo que há de delicado em mim. Mas vamos que vamos porque somos fortes como um cavalo novo com fogo nas patas correndo em direção ao mar². E quando eu digo 'somos' é porque posso contar com um time e tanto, gente que me olha nos olhos e que consegue sentir compaixão por mim, gente que me conhece e mesmo assim consegue me amar. Li uma vez num conto que ternura é dom, o conto não era lá essas coisas mas essa frase nunca mais saiu de mim, e, de fato, ternura é dom.

¹De Dona Ivone Lara em "Alguém me avisou".
²De Grace Passô em "Por Elise".

3 comentários:

  1. Dia desses ouvi uma colega de serviço dizer à outra uma frase da Cecília Meirelles: "Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira."

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  2. Nossa, que frase precisa! E não é em todo serviço que se ouve esse tipo de coisa, sorte a sua. Eu, devidamente podada.

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